PODE UMA CIÊNCIA ESPIRITUAL BRINDAR UM APORTE PARA COMPREENDER A REALIDADE QUE VIVEMOS?vivemos?

PODE UMA CIÊNCIA ESPIRITUAL BRINDAR UM APORTE PARA COMPREENDER A REALIDADE QUE VIVEMOS?

Estou falando daquilo que Rudolf Steiner elevou a um nível de grande hierarquia para a compreensão dos fenômenos da vida: a chamada Trimembracão, isto é, a observação dos fenômenos orgânicos como fazendo parte de uma estrutura de três partes, cada uma, com uma funcionalidade específica, em dinâmica de interação com as outras.

Pensamento, sentimento e vontade – manifestações da alma humana:

O pensar com a sua sede no âmbito do intercâmbio de informações, o cérebro, os órgãos dos sentidos.

A vontade, onde vive o calor, o movimento, o trabalho com as substâncias, com a matéria: o abdômen e os membros.

O sentir, no centro, onde vive o rítmico, harmonizando o em cima e o em baixo. O coração e os pulmões, no seu palpitar e respirar.

Parece simples e lógico. E é mesmo. A questão é ter isso em conta, na hora de analisar os processos da alma.

Esta é uma fisiologia da vida.

Mas o que quero compartilhar é aquilo que, a partir desta fisiologia da vida, nos ensina a enquadrar com a mesma lógica orgânica a análise social, representado por os 3 IDEAIS DA REVOLUÇÃO FRANCESA: Liberdade, igualdade e fraternidade.

A liberdade tem o seu espaço de expressão no pensamento do homem. Lá, cada um de nós tem o seu domínio de solidão absoluta. Minha cabeça é uma área fechada, onde o que eu penso é diferente do que você pensa de outro ser humano. Se quisermos todos pensar o mesmo, criamos dogmas e fanatismos.

Assim, conhecendo isto, podemos ouvir quem expresse algo diferente, pois sabemos que cada um pensa por si mesmo. Ou não? Cada um com as suas ideias. As tomamos ou as deixamos. Por isso, este é o domínio da liberdade criativa. A partir de mim, posso contribuir com novos pensamentos, novas idéias. Calar quem expressa algo diferente é podar-me a mim mesmo, pois descarto a minha própria capacidade de análise do que o outro, desde a sua liberdade, manifesta.

A igualdade tem seu domínio no sentir do homem. Aí precisamos de leis que nos igualem, pois meu sentimento é compartilhado com o próximo. As leis do ritmo nos governam. O nosso coração e nossos pulmões, possuem um ritmo alinhado com o ritmo cósmico. Meu peito não é fechado, é um hemisfério aberto para frente, que se fecha no abraço com o meu irmão. Meu sentimento depende do próximo. Sinto com o outro. Por conseguinte, no social, precisamos de leis que nos igualem. Estamos todos atravessados pelas mesmas leis. É preciso respeitá-las e de nos ater a elas. Caso contrário, opera a “Lei do mais forte”, que pertence ao reino animal, não ao humano. Lá, impõe-se o que tem a força ou o poder.

Finalmente, e aqui vem a parte mais difícil, nos encontramos com a fraternidade. Priorizar a necessidade do outro, favorecer o próximo, e isso no domínio da vontade, o trabalho, a produtividade, a economia. Estamos no metabolismo: a permanente transformação alquímica da matéria. Os nossos membros: Mos movemos e trabalhamos para melhorar o mundo. O que eu faço, me favorece apenas a mim mesmo ou, sobretudo, ao próximo? Uma economia deve ser fraternal, favorecendo as necessidades de todos.

Lembremo-nos que isto surge de uma ciência espiritual. Lembremo-nos que somos seres humanos. Pertencemos à humanidade como um todo. O nosso espírito se regozija com valores como o altruísmo, a compaixão, a bondade, a misericórdia. A partir daí surge o verdadeiro entusiasmo criativo: CRIAR o novo, para o bem comum. Essa é a nossa contribuição.

Liberdade econômica? Igualdade Econômica? Liberdade nas leis? Nada disso pertence à fisiologia da vida.

Que cada um pense o que quiser pensar. Na sua cabeça está sozinho consigo mesmo. Que cada um saiba que sentimento existe um outro, lá podemos criar laços. É para isso que servem as leis. Que cada um aceite que, onde quer que coloque o seu esforço e sua vontade, é capaz de transformar o mundo.

Precisamos compreender organicamente os acontecimentos!!

Pode uma ciência espiritual brindar um aporte para compreender a realidade que vivemos?”

 

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