A DEIXADA DAS SOMBRAS NO VELHO ANO DO NOVO HOMEM

A DEIXADA DAS SOMBRAS NO VELHO ANO DO NOVO HOMEM

01/01/2018 Uncategorized 0

A DEIXADA DAS SOMBRAS NO VELHO ANO DO NOVO HOMEM
POR ISABELA MARIA CORRÊA CONDÉ

Estamos prestes a nos depararmos com o final do ano e junto com essa chegada, também nos afrontamos com nossas constantes reflexões acerca do que fomos ou não capazes de realizar durante o ano que transcorreu.

Podemos bem fazer uma retrospectiva sobre os melhores e piores momentos, frutos de alegrias e sofrimentos, saúde e doença, progressos e regressos, dentre outros que fomos capazes de vivenciar. Sobretudo, ao fazer tal processo reflexivo, notamos com clareza os contrastes entre os encontros e desencontros que nos achegaram.

No entanto, é preciso ir além para evoluirmos em nossa incrível capacidade de nos tornarmos cada vez mais humanos: o que pudemos fazer com nossas pedras encontradas pelo meio do caminho?

É verdade que nem toda caminhada é fácil, pois se assim o for, deve nos vir o questionamento de que algo tem de errado por não nos provocar a criação de um profundo sentimento pelo que foi proposto. Necessário é, portanto, que lutemos firmemente por nossos propósitos, sem que projetemos sob a sombra dos outros as nossas perdas.

Não se trata apenas de julgar o quão difícil é, mas de saber como lidar com essa dificuldade e descobrir que é no meio de nossos tormentos que encontramos a possível saída.

“Onde está o maior dos meus problemas, ali está também a maior de todas as chances, ali está o meu tesouro. É ali que alguma coisa poderá ganhar vida e desabrochar.” (Anselm Grün)

Falar de nossas dificuldades é também ativar, de modo inconsciente, nossos projetos arquetípicos sombrios cuja personalidade humana sempre busca por seu distanciamento, ou melhor, a luta por suas constantes fugas e projeções indevidas nas pessoas ao redor.

Estas que nos retornam ao modelo humano mais primitivo, evitando o afrontamento e indicando que o melhor caminho é mesmo jogar o erro para os outros. Grande equívoco! Simplesmente porque não suportamos, é mais fácil lavarmos as mãos? Não! É preciso enfrentar!

C. G. Jung já nos orientava que “ninguém se torna iluminado por imaginar figuras de luz, mas exatamente por tomar consciência de sua própria escuridão”.

É assim que a vida vai tomando seu corpo e trocando sua ordem primeva pela lapidação de suas potencialidades. É aí que a personalidade se torna dinâmica e frutuosa, capaz de compreender seus limites e suas capacidades.

Faz-se preciso, no entanto, que separemos e agrupemos cada qual em seu respectivo tempo. Em outras palavras, é de suma importância que compreendamos cada parte em separado, para só então juntarmos tudo novamente com a clareza consciente do que seja cada pedaço agrupado, o que se tem ali de especial e o que se completa com essa junção.

Ainda, recordo da figura oriental proposta pelas reflexões de Jung: o Yin e Yang. Figura completa composta por dois pedaços. Um claro e outro escuro. Cada qual com sua beleza. Ambos com a firmeza de estarem juntos e formularem a única figura. Nem um, tampouco o outro. Os dois e seu inédito equilíbrio!

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